segunda-feira, 28 de julho de 2008

ANZOL DE PESCADOR



Sob sol, sobre sal
balança os cabelos, vela e vento,
o prata do peixe,
o dourado do peixe.
A espada que sibila feito raio...
na mão do pescador, anzol de
esperança, calo e corte,
enquanto a linha estica
a barriga espera...
mas a mão ainda não puxa.


MMA&SILVA
Julho de 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Sono


ao poeta Cícero de Andrade, meu carinho e meu poema.


É divertido ser velho
E olha que ainda não sou tão velho assim,
Mas é divertido.
Podemos andar de coletivo
E não pagar,
Depende...
Nalguns teatros pagamos meia entrada,
Idem aos cinemas!
Mas tem uma coisa que me incomoda
Meus sonos
Estão cada dia mais pela metade!


MMAeSilva
"Sono" - Dali

LONGAS E VIDAS CURTAS




Na TV...


Mais um filme EUA,
Daqueles de lideres de torcidas,
Meninos saradões
(E um facão...)


Um facão ou gente deformada que come carne humana numa selva,
Isso depende, se for na escola,
Pode vir de máscara, de festa folclórica ou da mente de merda de um roteirista medíocre.


Quem mata mais: Jason ou roteirista medíocre?


Sei lá... tá no final... péra...


depois termino o poema.


MMA&Silva

terça-feira, 22 de julho de 2008

SERMÕES DE MANUEL MARIA - 2008



os poemas que se seguem fazem parte do último livro do poeta, inédito..., depois de três anos calado... sua voz volta mais rasgante e sufocadora que outrora... boa leitura.


SERMÃO 1



Compre seu deus:
“morra de fome...”
Passe pela parede:
“Cega, faminta – fé!”
Deixe de lado suas
Promessas, ameaças,
Pois, ninguém é tão mal assim!


SERMÃO 2



Ave... tanta maria,
Presa nas rochas do tempo,
Mãe de deus?
Quem sabe... existe deus?
Hoje comemoro com vinho
Com pão
O terço desprendeu
E as lágrimas se espalharam
Por entre meus dedos.


SERMÃO 3



Escutai-me ó irmãos
“isso na colina entre oliveiras”
Escutai-me...
Saiam de suas prisões,
Libertem seus demônios,
Não sois dignos de carregá-los...
O mesmo façam
Com deus.


SERMÃO 4



“No altar de fronte aos pés ensangüentados de um cristo de madeira suja: fuligem, gordura...”




Onde estão as carolas... já lhe bastam os pregos.



SERMÃO 4.1



Fechem as bíblias... abram a cartilha.



SERMÃO 5



EU
EU
SOU SOU SOU SOU SOU
EU
EU
EU
EU
MAS NINGUÉM
PODE ME VER



SERMÃO 6



Despertei de um terrível pesadelo
Me vi preso as rodas do tempo
Ao lado de dois ladrões
Um muito bem vestido
O outro nu
Me vi girando
Sendo queimado
Enquanto um homem
Servia ao ladrão nu
Uma esponja de vinagre.


continua...


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Jenny Saville Apoiada


A MASSA SOBRE O HIRTO, ESTACADA A MASSA PESADA, SOBRE A PONTA DO ESPALDAR, ESPETO HORRIPILANTE DE GORDURA...


LIPO-A-LIPO


A MULHER TEME O PESO, O PESO A BALANÇA, A BALANÇA LEVA AO BISTURI, O BISTURI A RETIRADA DA GORDURA DA MULHER GORDA QUE ESTA DEITADA NUA VIRADA DE COSTA SENDO SUGADA POR UM ASPIRADOR...


LIPO-A-LIPO


A MULHER FOI CRIADA A PARTIR DA COSTELA DO HOMEM, A COSTELA ASSADA TEM GORDURA...

ENTÃO A CULPA É DO HOMEM!


PÓ AO PÓ


LIPO-A-LIPO



Jenny Saville, Branded - 1992, oil on canvas, 84 x 72 in.

POESIAS NO CONTENTO


Manuel Maria Andrada & Silva

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Por detrás do hábito pode-se encontrar um demônio, um coveiro pode orar por um defunto, quem sabe o que esconde um armário esquecido na memória de um político, quem sabe o que pode acontecer com uma arma engatilhada nas mãos de um menino, quem sabe o que fazer durante um temporal, quem sabe para onde correr quando está marcado para morrer?
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Há quem se perca durante um jantar, na folha de um livro, numa estrofe de poema, numa linha de trem, há quem diga que prefere a morte a comer chuchu, a quem diga que dor de barriga não se dá uma única vez.
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Porém, que importa a cerca e quem dá junto ao chuchu, que importa quanto tempo levou a construção da muralha da china, e que da para vê-la da lua, que importa a viagem a lua, a viagem de minha terra, a viagem da viagem, que viajar é com “J” e que viagem é com “G”, que importa se na minha terra tem palmeira, sábia que não canta nem lá nem cá, que importa quantas andorinhas fazem o verão, que importa quantos versos tem aquele épico, que importa o desmatamento?
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Não ligo para as coisas do coração, não suporto música lenta, não gosto de cinema, não vou a sorveteria, não gosto de teatro, de praça e namoro colado, não suporto despertar ao som de pássaros, não suporto suportar o transito de São Paulo, não suporto a professora de Literatura Portuguesa, seu sotaque e seu país, detesto ler, detesto dinheiro, não sou capitalista muito menos comunista, não sou nem –ista, nem –ismo não nasci para isso.
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Não me preocupo com o ar, com o vento, com a água, tanto faz como tanto fez se estiver quente, fria, morna, gelada ou poluída, tanto faz se gasta muito fazer a barba com torneira aberta, chuveiro ligado há mais de meia hora, quintal, carro... lavado, é errado? Não me importo com o imposto, resultado? Não ligo para o inesperado, se as ruas estão sujas, se a sujeira é derivada da ignorância, se a ignorância é mãe do povo, que importa se a boca de lobo entupiu e que na rua dorme um mendigo, ou dois, ou um casal, ou se um ninho de mendigo se encontra numa galeria, que me importa o grau de estudo de um presidente sem um dedo, que me importa se a prefeita, prefeito, governador, deputado, deputada, senador, senadora, ou o diabo que há no governo rouba o aposentado, que importa para mim se existem milhares de animais sendo vendidos ilegalmente, se animais na rua, se animais assassinos, se animais animais e animais animais fedem pra danar, que me importa se atropelaram aquela cadela, que uma onda varreu paises e que elefantes salvaram gente, que me importa toda essa gente.
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Não sou eu quem vai levantar daqui e caminhar por este corredor e chegar há uma porta, abrir, passar, chegar a qualquer ponto e consertar o incorrigível o bicho-homem.
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10h 37 min

terça-feira, 15 de julho de 2008

O BANCO DE PRAÇA


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Sentado no banco da praça
Dando migalhas aos pombos
Deparei-me com uma pergunta:
- Se fosse eu pomba
Será que a pomba sendo eu
Daria-me migalhas?

Levantei-me...

Comprei um picadinho
E dei para elas!




foto: Évora, 5 de Dezembro de 2005. (Foto: Nuno Veiga/Lusa)


in Cá do Alentejo (cadoalentejo.blogspot.com/2007/02/aves.html)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

QUANTOS, PESSOA, CABEM NUM LASAR



– sobre poema de Jorge Lasar– PESSOA
de Novembro de 2004
Manuel Maria de Andrada & Silva interpreta Lasar.


As palavras me ensurdecem...

É, o pecado me chama, mesmo distante, eu posso ouvi-lo, lá esta ele, na beirada dum precipício, na boca de um poço, na beira de um beiral de poesia, num campo junto a árvores e pastores, ovelhas que pastam ao som de hinos, camponeses e poemas em cachos e pegadas de Pã, será que são vivas as palavras dos pássaros, será que repousam tranqüilas, que adormecem, vivas no útero da mente de um poeta.
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Pobrezinhas, e nem tem vidas...
Repousam tranqüilas, adormecidas,
Se não fossem ícones, diria-nas: vivas!
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Não encontro o silêncio na virar das folhas, ao vento, ouço o som dos sinetes do rebanho, e a voz dos pastores, é confuso dizer, quem pasta as ovelhas ou as palavras, que Pessoa de terno, Orfeu, de livro de Mensagem, está parado em fragmentos de olhares para o poeta singelo e tímido acariciando uma ovelha negra, quem será o poeta, de terno, ao lado do poeta de terno e gordinho, quem será. Será eles flores que eclodem nuas, rios que singram solitários, feito palavras num poema, será rebanhos como livros, lírios, lágrimas sozinhas na escuridão do quarto do poeta, será Pessoa em pessoa diante ao menino que escreve seus mais delicados versos.
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Ícones, mas pessoas em Pessoa;
Flores; Rios; Rebanhos; Pastores;
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Ouve-se o que parece o soado de um risco de pena, em papel que dilacerado grita, as folhas se despregam em declínios ígneos e frios, profundos, porém rasos, rasos, porém eternos...
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Natureza de contornos, rugindo de penas, saltando à
[folhas...
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O poeta que agora lê este texto, o poeta que escreveu o poema, o poeta que foi menino, o menino que ainda é tímido, singelo e... que importa se ele é Pessoa...
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SER
SERES
CERES
LUA - TUA.
POETA
PÕE
PENA
AÍS

E

(éter
na mente)
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... um menino poeta e pastor de palavras soltas em campos de folhas, soltas em ares zodiacais, soltas, soltas, soltas, soltas... ai... soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas...
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Pessoas...
Deveriam ser palavras...
Seres...
Palavras à Pessoa...

(Pessoa 11-2004)
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palavras mais que vida, vida mais que palavras vivas, pessoas que se tornam ícones, ícones que surgem mansinho, poetas que se fazem homens, armas que se fazem penas, penas que fazem poemas.
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M.M.A. & SILVA

DOCUMENTADO


O LOTAÇÃO



Que importa se é “o lotação” ou “a lotação”,
Se é”dá-me um cigarro”
“dá-me um pingado”
se o povo não come NORMA
mas, passa fome O – CULTA!

THE bush u.S.A.


"a great jump for a man,
a shy step for the philanthropy"

LEITURA DE DOMINGO



Descobri...
Num fechar, num abrir,
Dos jornais, folhetins,
Que o que mais importa
É a aquisição de bens!

No mais, passar fome,
Isso quer dizer: “não ter o que comer...”
É apenas uma má fase da vida,
Amanhã será mais um outro dia.

Tudo passa, tudo passa...
Inverno, geada, tempestade!



VELHICE

Há quanto tempo não caminho,
Quanto tempo faz que me perdi?
O sol que desponta no mar
Esconde em rugas minha idade!

Ah! Quanto tempo faz?
Há muito que deixei a enxada!
Mas, a vida continua, tal um navio
Navega, navega, navega...

E não sei quando ira parar.