
Manuel Maria Andrada & Silva
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Por detrás do hábito pode-se encontrar um demônio, um coveiro pode orar por um defunto, quem sabe o que esconde um armário esquecido na memória de um político, quem sabe o que pode acontecer com uma arma engatilhada nas mãos de um menino, quem sabe o que fazer durante um temporal, quem sabe para onde correr quando está marcado para morrer?
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Há quem se perca durante um jantar, na folha de um livro, numa estrofe de poema, numa linha de trem, há quem diga que prefere a morte a comer chuchu, a quem diga que dor de barriga não se dá uma única vez.
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Porém, que importa a cerca e quem dá junto ao chuchu, que importa quanto tempo levou a construção da muralha da china, e que da para vê-la da lua, que importa a viagem a lua, a viagem de minha terra, a viagem da viagem, que viajar é com “J” e que viagem é com “G”, que importa se na minha terra tem palmeira, sábia que não canta nem lá nem cá, que importa quantas andorinhas fazem o verão, que importa quantos versos tem aquele épico, que importa o desmatamento?
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Não ligo para as coisas do coração, não suporto música lenta, não gosto de cinema, não vou a sorveteria, não gosto de teatro, de praça e namoro colado, não suporto despertar ao som de pássaros, não suporto suportar o transito de São Paulo, não suporto a professora de Literatura Portuguesa, seu sotaque e seu país, detesto ler, detesto dinheiro, não sou capitalista muito menos comunista, não sou nem –ista, nem –ismo não nasci para isso.
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Há quem se perca durante um jantar, na folha de um livro, numa estrofe de poema, numa linha de trem, há quem diga que prefere a morte a comer chuchu, a quem diga que dor de barriga não se dá uma única vez.
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Porém, que importa a cerca e quem dá junto ao chuchu, que importa quanto tempo levou a construção da muralha da china, e que da para vê-la da lua, que importa a viagem a lua, a viagem de minha terra, a viagem da viagem, que viajar é com “J” e que viagem é com “G”, que importa se na minha terra tem palmeira, sábia que não canta nem lá nem cá, que importa quantas andorinhas fazem o verão, que importa quantos versos tem aquele épico, que importa o desmatamento?
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Não ligo para as coisas do coração, não suporto música lenta, não gosto de cinema, não vou a sorveteria, não gosto de teatro, de praça e namoro colado, não suporto despertar ao som de pássaros, não suporto suportar o transito de São Paulo, não suporto a professora de Literatura Portuguesa, seu sotaque e seu país, detesto ler, detesto dinheiro, não sou capitalista muito menos comunista, não sou nem –ista, nem –ismo não nasci para isso.
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Não me preocupo com o ar, com o vento, com a água, tanto faz como tanto fez se estiver quente, fria, morna, gelada ou poluída, tanto faz se gasta muito fazer a barba com torneira aberta, chuveiro ligado há mais de meia hora, quintal, carro... lavado, é errado? Não me importo com o imposto, resultado? Não ligo para o inesperado, se as ruas estão sujas, se a sujeira é derivada da ignorância, se a ignorância é mãe do povo, que importa se a boca de lobo entupiu e que na rua dorme um mendigo, ou dois, ou um casal, ou se um ninho de mendigo se encontra numa galeria, que me importa o grau de estudo de um presidente sem um dedo, que me importa se a prefeita, prefeito, governador, deputado, deputada, senador, senadora, ou o diabo que há no governo rouba o aposentado, que importa para mim se existem milhares de animais sendo vendidos ilegalmente, se animais na rua, se animais assassinos, se animais animais e animais animais fedem pra danar, que me importa se atropelaram aquela cadela, que uma onda varreu paises e que elefantes salvaram gente, que me importa toda essa gente.
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Não sou eu quem vai levantar daqui e caminhar por este corredor e chegar há uma porta, abrir, passar, chegar a qualquer ponto e consertar o incorrigível o bicho-homem.
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Não sou eu quem vai levantar daqui e caminhar por este corredor e chegar há uma porta, abrir, passar, chegar a qualquer ponto e consertar o incorrigível o bicho-homem.
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10h 37 min

2 comentários:
Como disse o poeta Jessier... vou no rastro da bandeira de Manél... então... vou no rastro do rastro da bandeirola deste também Manél... Maria Manél... incrível... seco e profundo manél... abraço.
Como sempre disse a vc, acompanho seu trabalho a muito tempo e sempre acreditei no seu talento...não desanime, talento assim é raro.
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