
– sobre poema de Jorge Lasar– PESSOA
de Novembro de 2004
Manuel Maria de Andrada & Silva interpreta Lasar.
As palavras me ensurdecem...
É, o pecado me chama, mesmo distante, eu posso ouvi-lo, lá esta ele, na beirada dum precipício, na boca de um poço, na beira de um beiral de poesia, num campo junto a árvores e pastores, ovelhas que pastam ao som de hinos, camponeses e poemas em cachos e pegadas de Pã, será que são vivas as palavras dos pássaros, será que repousam tranqüilas, que adormecem, vivas no útero da mente de um poeta.
É, o pecado me chama, mesmo distante, eu posso ouvi-lo, lá esta ele, na beirada dum precipício, na boca de um poço, na beira de um beiral de poesia, num campo junto a árvores e pastores, ovelhas que pastam ao som de hinos, camponeses e poemas em cachos e pegadas de Pã, será que são vivas as palavras dos pássaros, será que repousam tranqüilas, que adormecem, vivas no útero da mente de um poeta.
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Pobrezinhas, e nem tem vidas...
Repousam tranqüilas, adormecidas,
Se não fossem ícones, diria-nas: vivas!
Repousam tranqüilas, adormecidas,
Se não fossem ícones, diria-nas: vivas!
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Não encontro o silêncio na virar das folhas, ao vento, ouço o som dos sinetes do rebanho, e a voz dos pastores, é confuso dizer, quem pasta as ovelhas ou as palavras, que Pessoa de terno, Orfeu, de livro de Mensagem, está parado em fragmentos de olhares para o poeta singelo e tímido acariciando uma ovelha negra, quem será o poeta, de terno, ao lado do poeta de terno e gordinho, quem será. Será eles flores que eclodem nuas, rios que singram solitários, feito palavras num poema, será rebanhos como livros, lírios, lágrimas sozinhas na escuridão do quarto do poeta, será Pessoa em pessoa diante ao menino que escreve seus mais delicados versos.
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Ícones, mas pessoas em Pessoa;
Flores; Rios; Rebanhos; Pastores;
Flores; Rios; Rebanhos; Pastores;
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Ouve-se o que parece o soado de um risco de pena, em papel que dilacerado grita, as folhas se despregam em declínios ígneos e frios, profundos, porém rasos, rasos, porém eternos...
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Natureza de contornos, rugindo de penas, saltando à
[folhas...
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O poeta que agora lê este texto, o poeta que escreveu o poema, o poeta que foi menino, o menino que ainda é tímido, singelo e... que importa se ele é Pessoa...
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Natureza de contornos, rugindo de penas, saltando à
[folhas...
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O poeta que agora lê este texto, o poeta que escreveu o poema, o poeta que foi menino, o menino que ainda é tímido, singelo e... que importa se ele é Pessoa...
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SER
SERES
CERES
LUA - TUA.
POETA
PÕE
PENA
AÍS
E
(éter
na mente)
SERES
CERES
LUA - TUA.
POETA
PÕE
PENA
AÍS
E
(éter
na mente)
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... um menino poeta e pastor de palavras soltas em campos de folhas, soltas em ares zodiacais, soltas, soltas, soltas, soltas... ai... soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas e soltas...
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Pessoas...
Deveriam ser palavras...
Seres...
Palavras à Pessoa...
(Pessoa 11-2004)
Deveriam ser palavras...
Seres...
Palavras à Pessoa...
(Pessoa 11-2004)
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palavras mais que vida, vida mais que palavras vivas, pessoas que se tornam ícones, ícones que surgem mansinho, poetas que se fazem homens, armas que se fazem penas, penas que fazem poemas.
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M.M.A. & SILVA

2 comentários:
Se antes me restava o caos, a minha singela ternura, hoje, à luz, sobre as tuas únicas palavras derramou de contentamento o meu poema.
Que linda leitura! Ficou mais bonita que o próprio poema.
Grande abraço!
Jorge Lasar
me pegou em cheio, acabei de chegar ao Rio e me deparo com essa maravilha. M M de Andrada; o sr é um poeta e tanto, eu me confesso m a r a v i l h a d o.
Estou mto ocupado , mas não resiti. O Sr será uma leitura constante. E ainda fala de Pessoa...Só um outro poertugues pode escrever com esse calibre todo.
Como iniciante, sento-me à seus pés e humildemente peço que leia meu blog.
Seja mto bem vindo
Thiers R >
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